O amor de São Roque nos coloca a caminho
Com o tema "O amor de São Roque motiva nossa vida peregrina paroquial”, o compromisso missionário esteve em destaque na Paróquia de Ondina, no último domingo (16), quando foi celebrada a festa do santo querido. Foi um dia marcado pela fé, devoção e gratidão de centenas de pessoas que, desde cedo, se deslocaram para o bairro da Federação.
Às 5h da manhã, quando a cidade começava a despertar, os primeiros devotos já ocupavam o interior do Santuário de São Lázaro e São Roque, aguardando a primeira celebração do dia. Do interior da igreja, eles ouviram o som dos fogos de artifício da tradicional alvorada, anunciando que o grande momento havia chegado.

Do lado de fora do templo, o andor com a imagem de São Roque, lindamente ornamentado, permaneceu preparado para acolher os devotos que chegavam para agradecer, pedir graças e confiar suas vidas à intercessão do santo. Ao longo do dia, foram celebradas Missas às 5h, 7h, 9h e 11h, culminando com a celebração, às 15h, seguida da procissão pelas ruas do bairro e da Bênção do Santíssimo Sacramento.

Uma história que continua a inspirar
A primeira celebração, às 5h, foi presidida pelo padre Casimiro Malolepszy, pároco da Paróquia da Ressurreição do Senhor, da qual o santuário faz parte. Em sua reflexão, o sacerdote chamou atenção para o fato de São Roque ter nascido há mais de 800 anos e, ainda hoje, ser lembrado com tanto carinho pelos seus devotos.

A permanência dessa devoção ao longo dos séculos revela a força de um testemunho que continua falando ao coração da Igreja.
Padre Casimiro também relacionou a festa de São Roque à Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, recordando a grande devoção mariana que o santo recebeu de sua mãe.

A partir das leituras do dia, apresentou Maria como a primeira Arca da Aliança, já que ela também "guardou" no seu interior o próprio Jesus Cristo, que veio selar uma aliança de amor com a humanidade.

A celebração foi marcada, ainda, por momentos de alegria e algumas coincidências marcantes. Ao homenagear as pessoas que carregavam os nomes de Roque e Maria, incluindo os aniversariantes do dia, o sacerdote encontrou entre os devotos uma mulher chamada Roquelina. Um detalhe que revela como a devoção a São Roque também se manifesta nas histórias que atravessam gerações.
Entre outros relatos, padre Casimiro também revelou uma curiosidade sobre o santo: segundo a tradição, São Roque teria nascido com uma marca em forma de cruz no peito. Um sinal que pode ser contemplado como uma imagem da missão que marcaria sua existência: entregar-se a Deus e colocar-se a serviço dos irmãos.

Uma peregrinação movida pelo amor
Às 7h, foi a vez do padre Maciel Pinheiro presidir a celebração. Em sua homilia, o sacerdote estabeleceu um bonito paralelo entre a atitude de São Roque diante dos que sofriam e o gesto de Maria ao visitar sua prima Isabel.
Assim como a Mãe de Jesus, Roque não se furtou em ajudar os que precisavam de assistência. E Maria teve o mesmo espírito destemido, ao sair ao encontro da prima Isabel, mesmo grávida e vivendo também uma situação que exigia cuidados. Ambos não se fecharam em sua própria realidade. Procuraram ajudar quem precisava de ajuda.

Tanto em Maria como em São Roque, o amor aparece como força que faz sair de si mesmo e ir ao encontro do outro. Foi esse mesmo sentimento que o padre Maciel atribuiu às centenas de fiéis que chegaram ao Santuário desde as primeiras horas daquele domingo: homens e mulheres que, assim como Roque, se colocaram a caminho para fazer uma experiência profunda de fé, buscando em Deus consolo, esperança, força e renovação.

Esse foi o convite feito pelo sacerdote: que todos pudessem fazer, verdadeiramente, uma experiência de Fé com o Senhor, para depois sair em missão, não guardando para si os frutos da sua conversão.

Uma fé comprometida com os “pequeninos”
Às 9h, a celebração com elementos da cultura afro-brasileira foi presidida pelo padre Clóvis Cabral. Com sua larga experiência na área da assistência social, o sacerdote trouxe para a reflexão os desafios enfrentados pela sociedade contemporânea e as situações que tantas vezes se colocam em contradição com os valores do Evangelho.
Violência, preconceito, intolerância e desigualdade social estiveram entre os temas abordados. Padre Clóvis chamou atenção para o sofrimento das minorias e daqueles que vivem à margem da sociedade, recordando que a fé cristã não pode permanecer indiferente diante da dor humana.

Em sua oração, confiou a Deus os “pequeninos”, pedindo que a sociedade seja capaz de construir uma nova forma de vida, mais fraterna, justa e solidária, sustentada pela graça e pela presença de Deus.

A Missa com elementos afros foi um lugar de encontro de pessoas que professam a fé de matriz africana. Com artefatos e ritos próprios, elas compareceram em grande número à celebração, participando ativamente de todos os momentos sagrados.

Uma doação que não encontrou limites
Na Missa das 11h, presidida pelo padre Geraldo Camargo, a entrega de São Roque foi ressaltada até mesmo diante do microfone de um grande veículo de comunicação, para o qual o sacerdote concedeu entrevista após a celebração.
O redentorista lembrou que a doação de São Roque foi total e que essa escolha reflete a experiência de fé que ele teve com Deus.

O gesto de São Roque é aquele que motiva os seus devotos na construção de uma caminhada cada vez mais peregrina, que leve ao encontro dos que mais sofrem.

Padre Geraldo frisou, ainda, que a coragem de São Roque continua sendo digna de admiração, principalmente pelo fato dele ter aberto mão de todos os privilégios a que tinha direito para dedicar a sua vida a uma causa tão exigente. Jovem de família rica, Roque abriu mão dos bens materiais para cuidar dos pobres e dos doentes que encontrou durante suas peregrinações, mostrando que seu amor não ficou restrito às palavras, ao contrário: transformou-se em presença, cuidado e serviço.

São Roque, espelho de Maria
O ponto alto da programação aconteceu às 15h, com a Missa Festiva, presidida por Dom Esmeraldo Barreto de Farias, Bispo Emérito da Diocese de Araçuaí, em Minas Gerais.
À luz do Evangelho, o bispo destacou a humildade e a caridade como graças concedidas por Deus a São Roque, fazendo dele um verdadeiro espelho de Maria.

Devoto de Nossa Senhora, Roque respondeu ao chamado de Deus colocando-se a caminho e, com muita humildade e entrega, fez o bem por onde passou durante a sua peregrinação na Europa.

A caminho da França, onde nasceu, ele próprio contraiu a doença e precisou experimentar a fragilidade que tantas vezes havia encontrado nos outros. Isolado em uma cabana, recebeu diariamente o pão levado por um cachorro. Seu dono, ao descobrir a situação de Roque, também passou a cuidar dele.
Aquele que havia dedicado a vida ao cuidado dos outros experimentou, então, a graça do amparo fraterno, mostrando a assistência do próprio Deus, como lembrou o bispo.

Cansado e maltratado pela dura viagem de volta, Roque não foi reconhecido na sua cidade de origem, sendo confundido com um espião de guerra, situação vivida, à época, naquela região. Em vista do engano, ele acabou sendo preso e, sem revelar sua verdadeira identidade e nem utilizar seus privilégios para ser libertado, permaneceu em silêncio e aceitou a prisão, onde morreu.
Somente depois de sua morte compreenderam que estavam diante de alguém especial. Uma grande luz teria se manifestado na carceragem, revelando a santidade daquele homem humilde e servidor.

A história de São Roque, recordou Dom Esmeraldo, mostra que a verdadeira grandeza não está em colocar-se acima dos outros, mas em reconhecer-se pequeno diante de Deus e disponível para servir. É na humildade, na caridade e no cuidado com o próximo que a vida se torna um verdadeiro testemunho de fé.
Uma comunidade que continua peregrinando
Depois da Missa Festiva, os devotos seguiram pelas ruas do bairro em procissão, levando a imagem de São Roque e testemunhando publicamente sua fé. De volta ao santuário, receberam a Bênção do Santíssimo Sacramento, pelas mãos do próprio Dom Esmeraldo, encerrando um dia inteiro de celebrações.

Entre essas pessoas, estavam Josemeire Cerqueira, que foi ao santuário acompanhada do filho caçula, Vinícius Cerqueira, e da amiga, Eliete Santos. Motivadas pelo sentimento de gratidão, elas compartilharam suas histórias de fé e confiança na intercessão do santo.
Josimeire conta que a devoção a São Roque é familiar e foi apresentada ao seu filho mais velho por um tio, que veio a falecer. Para manter viva essa história, ela vai ao Santuário toda vez que tem festa para agradecer a São Roque pelo gesto do tio, que transmitiu a devoção ao seu filho, atualmente morando fora de Salvador.

Já Eliete (ao centro) foi agradecer pela cura da filha, após a retirada de um tumor maligno na região da cabeça. Mesmo encontrando-se muito distante, em viagem ao exterior, na época do ocorrido, ela pediu que uma pessoa levasse uma cabeça de cera até o santuário e orou pelo milagre que salvou a vida da filha. "Eu só agradeço, porque eu tenho fé e acredito", pontuou.

Essas e outras tantas manifestações de fé foram destacadas por padre Casimiro no encerramento da programação, que contou com a presença de pessoas de diferentes idades e foi enriquecida com a apresentação dos músicos Jerivaldo, Diógenes e a banda Estrada Iluminada.

Contando com participações especiais, os músicos se revezaram, proporcionando ao povo de Deus momentos de muita alegria e oração, ao som de cantos marcantes e inesquecíveis, alguns deles bastante peculiares, como os entoados durante a Missa com elementos afros.

Confessando sentir-se fortalecido diante de tanta fé, o pároco também agradeceu a todos que se dedicaram à organização da festa, especialmente o grupo de voluntários que também cuidou da decoração e da limpeza do local.

Uma das voluntárias, inclusive, organiza, há um tempo, uma rifa cujo valor arrecadado é revertido para a festa. Este ano, Simone Pereira entregou os prêmios para Leonardo, ganhador de um cooler, uma camisa da festa de São Roque, um terço e uma bolsa artesanal (foto).

No dia seguinte, os fiéis voltaram ao santuário para encerrar o ciclo de homenagens iniciado com o tríduo preparatório, deixando ali uma das mensagens mais bonitas da Festa de São Roque: a peregrinação não termina quando os fiéis vão embora. Ela continua na vida cotidiana, sempre que a fé nos coloca a caminho para encontrar, acolher, cuidar e servir. Como fez São Roque, cujo amor continua nos motivando na nossa peregrinação paroquial.
Silvana Lima (Pascom), com a colaboração de Rosana Oliveira (Pascom), Claudiomiro Santos (Pascom) e grupo de voluntários do Santuário de São Lázaro e São Roque.



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