Prioridades para 2027 e reflexão sobre a missão marcam assembleia paroquial
A Paróquia da Ressurreição do Senhor realizou, nos dias 23 e 24 de outubro, a Assembleia Paroquial 2026, reunindo representantes das comunidades, pastorais, movimentos e serviços para avaliar a caminhada realizada ao longo do ano e refletir sobre os desafios e as perspectivas da ação evangelizadora para 2027. O encontro foi marcado por momentos de oração, partilha, formação e construção coletiva, tendo como horizonte o fortalecimento da unidade e da identidade missionária da comunidade paroquial.
A preparação para a assembleia teve início na sexta-feira (23), com a Santa Missa celebrada na Igreja Matriz. Na ocasião, o pároco e presidente da celebração, padre Casimiro Malolepszy, estabeleceu uma relação entre a realidade da comunidade paroquial e a experiência da Igreja nascente em Éfeso, cidade que, por sua importância comercial e portuária, reunia pessoas de diferentes culturas, idiomas e crenças.
A reflexão encontrou fundamento nas leituras proclamadas naquele dia. Na Carta de São Paulo aos Efésios (Ef 4,1-6), o apóstolo exorta a comunidade a viver com humildade, mansidão e paciência, suportando-se mutuamente no amor e preservando a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. No Evangelho de Lucas (Lc 12,54-59), Jesus chama a atenção das multidões para a necessidade de reconhecer e interpretar os sinais dos tempos, sem deixar que julgamentos e divisões comprometam as relações humanas.
Ao aproximar essas mensagens da realidade paroquial, padre Casimiro destacou a pluralidade de pessoas, histórias e experiências que compõem a Paróquia da Ressurreição do Senhor. São fiéis de diferentes origens, com distintas condições de vida, expectativas e possibilidades de contribuição, que encontram na comunidade um espaço de fé, acolhida e serviço.

“Temos, na paróquia, pessoas com as mais diversas bagagens pessoais e experiências de vida. Temos pessoas com planos e ambições, pessoas mais abastadas, pessoas necessitadas, que precisam de ajuda, e pessoas generosas, que se colocam à disposição das mais diversas ações que a paróquia realiza e organiza”, afirmou.
Para o pároco, essa diversidade deve ser reconhecida como uma riqueza capaz de fortalecer a vida comunitária, e não como motivo de afastamento.
“Essa é a diversidade. E não estamos falando de diferenças que dividem, mas de uma diversidade que tem tudo para nos enriquecer. A diversidade não divide; o que divide é a maldade humana”, ressaltou.

A partir do apelo de Jesus para que seus ouvintes saibam interpretar o tempo presente, o sacerdote também convidou os participantes a reconhecerem os desafios das relações humanas e a superarem atitudes que alimentam julgamentos e separações. A fraternidade, a capacidade de acolher as diferenças e o compromisso com a unidade foram apresentados como atitudes fundamentais para a construção de uma comunidade verdadeiramente cristã.

A reflexão também retomou um dos propósitos estabelecidos na assembleia anterior: ampliar a interação entre as pessoas, os movimentos e as comunidades, com atenção especial à juventude.

Ao agradecer o empenho de todos que contribuíram para essa caminhada durante 2026, padre Casimiro reconheceu tanto os avanços quanto os desafios ainda existentes e incentivou os presentes a manterem a esperança e a disposição para novos passos. “Vamos fazer o possível, vamos fazer o esforço”, pediu, ao mencionar o compromisso assumido pela paróquia.

A celebração eucarística foi concelebrada pelos padres Maciel Pinheiro, Stanislaw Wilczek e pelo sacerdote diocesano Rafael Cerqueira Fornazieri, que, no passado, serviu provisoriamente na paróquia. Acompanhando um grupo de peregrinos, ele manifestou a alegria de retornar e participar daquela celebração.

Após a Missa, os participantes se dirigiram ao Salão de Festas da Igreja Matriz, onde compartilharam um lanche e um momento musical conduzido por Patrícia Miranda, coordenadora do Conselho Pastoral Paroquial (CPP), e outros paroquianos da Comunidade do Imaculado Coração de Maria.

Na sequência, os trabalhos foram acolhidos por Rosana Oliveira, também coordenadora do CPP, e pelo padre Casimiro. Os participantes foram convidados a responder, em grupos, a perguntas e questões orientadoras para o planejamento de 2027.

A programação incluiu ainda a apresentação de um resumo dos formulários respondidos anteriormente pelos grupos paroquiais, conduzida por Tereza Pereira, integrante da coordenação do CPP.

A noite foi encerrada com a bênção do pároco, que esteve na abertura também acompanhado pelos padres Maciel e Stanislaw.
Formação e conversão pastoral: uma Igreja de processos, relações e missão

No sábado (24), as atividades começaram com a assessoria do padre jesuíta Clóvis Cabral, que conduziu uma reflexão sobre as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o período de 2026 a 2032.

Com o tema “Conversão pastoral: de uma pastoral de eventos a uma Igreja de processos, relações e missão”, a palestra provocou os participantes a repensarem a maneira como a comunidade organiza e desenvolve sua ação evangelizadora.

Logo no início, o sacerdote apresentou uma pergunta que sintetizou o propósito de sua exposição: “Estamos construindo uma pastoral que realiza muitas atividades ou estamos construindo uma comunidade que, por meio de suas ações, se transforma continuamente para melhor anunciar e testemunhar o Evangelho?”
A partir da pedagogia das perguntas, padre Clóvis conduziu a reflexão sobre o sentido das iniciativas pastorais destacando que, mais do que contabilizar atividades, é necessário avaliar se elas transformam as pessoas, fortalecem os vínculos e estabelecem conexões entre as diferentes ações da Igreja.
Para fundamentar sua exposição, o jesuíta recorreu a documentos e referências importantes da caminhada eclesial, como o Catecismo da Igreja Católica, encíclicas, o processo sinodal e o Concílio Vaticano II.

Também situou os desafios atuais na perspectiva dos processos de reflexão e participação que a Igreja vem preparando para os próximos anos, com destaque para os encontros previstos para 2028, nos quais serão discutidos os papéis dos leigos e dos bispos.
Um dos pontos centrais da palestra foi a compreensão de que a missão não se limita ao fazer, mas está relacionada, sobretudo, ao ser. A conversão acontece quando a pessoa se volta para Deus e se deixa interpelar por Sua Palavra, permitindo que a própria vida encontre novo sentido e direção.
Nessa perspectiva, a ação evangelizadora deve manifestar a misericórdia de Deus e estar fundamentada em princípios como a autorresponsabilidade, o compromisso com o serviço e a opção preferencial pelos pobres. A missão, portanto, não pode ser entendida como uma atividade isolada ou um fim em si mesma, mas como o princípio que orienta e organiza toda a vida eclesial.
Ao trazer essas questões para a realidade local, padre Clóvis provocou os participantes a refletirem sobre a estrutura e o funcionamento da própria paróquia. Lembrou que a Igreja vive um novo tempo e que a conversão pastoral exige uma comunidade capaz de escutar a cidade, reconhecer suas necessidades e identificar os lugares onde a presença concreta do Evangelho se faz necessária.
“Uma paróquia missionária não é aquela que apenas abre suas portas, é aquela que aprende a atravessá-las”, afirmou.
A missão, nesse sentido, implica ir ao encontro das pessoas onde elas vivem, estabelecer relações e permitir que esses encontros também transformem a própria comunidade. “É preciso construir pontes e não muros”, acrescentou.

Ao concluir, destacou a escuta e o discernimento como elementos fundamentais para a ação evangelizadora, reforçando que uma Igreja em saída precisa estar atenta à realidade, aberta ao diálogo e disposta a reconhecer os apelos de Deus presentes na vida das pessoas.
Unidade e reconhecimento na construção da comunidade

No período da tarde, os participantes foram convidados a vivenciar uma dinâmica interativa sobre o valor da unidade e a construção de um objetivo comum. Unidas a uma caneta por múltiplos barbantes, as pessoas tinham o desafio de colocar o objeto dentro de uma garrafa, por meio de um movimento sicronizado e em silêncio. Já a segunda atividade chamou a atenção para a importância de reconhecer e expressar os aspectos positivos percebidos nas atitudes e iniciativas dos irmãos, dentro e fora da Igreja.
A proposta favoreceu o exercício do reconhecimento mútuo e da valorização dos dons e das contribuições de cada pessoa, compreendidos como elementos que fortalecem a convivência, estimulam a participação e motivam a continuidade do trabalho comunitário, como salientou padre Casimiro.
Após a revisão das propostas apresentadas ao longo das plenárias, que também estabeleceu como prioridade a formação contínua, junto à integração e ao espaço para a juventude, a Assembleia Paroquial 2026 foi encerrada com o agradecimento do padre Casimiro Malolepszy pelo empenho, pela participação e pela disponibilidade de todos. A bênção final foi concedida pelo pároco, juntamente com o padre Maciel Pinheiro.

Mais do que avaliar atividades e organizar uma agenda para o próximo ano, os dois dias de encontro reafirmaram o compromisso de construir uma comunidade em que a diversidade seja fonte de enriquecimento, a unidade seja cultivada no amor e a missão esteja presente em todas as dimensões da vida paroquial.

Um caminho que exige escuta, discernimento, participação e disposição para ir ao encontro do outro, fazendo da evangelização um processo permanente de conversão e testemunho do Evangelho.
Silvana Lima (Pascom), com a colaboração de Rosana Oliveira (CPP e Pascom)



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