Um dia com o Anjo Bom da Bahia: comunidade acolhe a imagem peregrina de Santa Dulce dos Pobres
- há 1 dia
- 4 min de leitura
O dia 5 de agosto foi marcado por uma intensa vivência de fé na Paróquia da Ressurreição do Senhor, em Ondina. Em preparação para a grande festa de Santa Dulce dos Pobres, que será celebrada no próximo 13 de agosto, a comunidade acolheu, logo pela manhã, a imagem peregrina do Anjo Bom da Bahia, que permaneceu na Igreja Matriz durante todo o dia, proporcionando momentos de oração, devoção e encontro com a história daquela que se tornou um dos maiores exemplos de caridade do Brasil.
Entre os primeiros visitantes estiveram os alunos da Escola Dorilândia. As crianças ouviram atentamente relatos como o da Irmã Auxiliadora, que recordou o primeiro milagre oficialmente reconhecido por intercessão de Santa Dulce.

Ela relembrou, com emoção, o caso ocorrido em Itabaiana (SE), quando uma mulher sofreu uma grave hemorragia durante o parto e chegou a ser considerada sem possibilidades de sobrevivência pela equipe médica. Confiando na intercessão de Santa Dulce, a família intensificou as orações juntamente com um padre de profunda fé. Contra todas as expectativas, mãe e filho sobreviveram, fato posteriormente reconhecido pela Igreja como o primeiro milagre atribuído à religiosa baiana.

Após o testemunho, com grande simplicidade as crianças pediram por suas famílias e pelos mais necessitados, rogando paz, saúde e prosperidade, sem esquecer dos professores que as acompanhavam, gesto que emocionou alguns dos educadores presentes.

Também participaram desse encontro o pároco, padre Casimiro Malolepszy, CSsR, e a carismática Dulcinha, uma boneca viva inspirada nas feições de Santa Dulce, que encantou os pequenos. Ao final da visita, padre Casimiro concedeu uma bênção especial a todos.

Ao longo de toda a tarde, a Igreja Matriz continuou recebendo fiéis e visitantes.
Às 17 horas, a comunidade reuniu-se para uma Hora de Oração com Santa Dulce, conduzida pela Pastoral da Liturgia. Além de recordar frases marcantes da santa, proclamadas por membros da assembleia, os participantes foram convidados a refletir sobre diversos aspectos da fé vividos por Santa Dulce dos Pobres: sua confiança inabalável em Deus, a perseverança diante das dificuldades, a caridade sem limites, a esperança, a humildade e a capacidade de transformar a oração em serviço concreto aos irmãos mais necessitados.

Na ocasião, os participantes também receberam um cordão branco para vivenciar o tradicional Rito dos 13 Pedidos, uma prática de devoção inspirada na proximidade da festa de Santa Dulce dos Pobres. Durante o rito, cada fiel faz treze pedidos ou intenções de oração enquanto dá treze nós no cordão, simbolizando a perseverança na fé e a confiança na intercessão da santa. Ao final, os cordões são colocados junto à imagem peregrina como sinal visível das preces confiadas a Deus, recordando que a verdadeira esperança nasce da oração perseverante e da prática da caridade, marcas da vida de Santa Dulce.

O momento de espiritualidade foi seguido pela tradicional Novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Como acontece semanalmente, os pedidos depositados pelos fiéis diante do altar foram queimados, gesto simbólico que expressa a confiança de que, pela intercessão da Mãe do Perpétuo Socorro, essas intenções são elevadas a Deus.

Em sua homilia, padre Casimiro refletiu sobre o profundo significado da peregrinação da imagem de Santa Dulce pelas paróquias da Arquidiocese. Recordou que, diferentemente do que normalmente acontece nos grandes santuários, onde são os peregrinos que se deslocam em busca do sagrado, nesta preparação para a festa é a própria imagem da santa que vai ao encontro do povo de Deus, visitando as comunidades para rezar com elas e apresentar ao Senhor as intenções de cada fiel.

O sacerdote também chamou a atenção para o significado da própria data, 5 de agosto, quando a Igreja celebra a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, o primeiro grande santuário mariano do Ocidente e um dos mais importantes destinos de peregrinação do mundo cristão. Recordou ainda que, assim como aconteceu com a Mãe do Perpétuo Socorro, cuja imagem percorreu o mundo despertando a fé do povo e dando origem a diversos santuários marianos, também o Santuário Santa Dulce dos Pobres, na Cidade Baixa, tornou-se um lugar de peregrinação, onde milhares de pessoas buscam consolo, esperança e a intercessão do Anjo Bom da Bahia.

Padre Casimiro explicou que a visita da imagem peregrina à paróquia manifesta justamente essa lógica missionária da Igreja.
A reflexão foi iluminada pelo Evangelho do dia (Mt 15,21-28), que apresenta a mulher cananeia, que vai ao encontro de Jesus para implorar pela cura de sua filha. Sua perseverança foi recompensada quando ouviu do Senhor: "Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu desejas."
Inspirado por essa passagem, Padre Casimiro convidou toda a assembleia a voltar o olhar para a imagem peregrina e repetir, em oração:
"Dulce dos Pobres, grande é a sua fé. Que inspire os nossos corações para que nós também sejamos pessoas de fé firme, forte e inabalável."
O sacerdote destacou que essa mesma perseverança pôde ser contemplada ao longo de todo o dia, e que, assim como a mulher cananeia não desistiu de buscar Jesus, Santa Dulce viveu uma fé que venceu limitações, tornando-se um testemunho concreto de confiança em Deus e de amor concreto aos mais pobres.
Toda a programação, iniciada nas primeiras horas da manhã e concluída com a Novena Perpétua, convergiu para um único convite: deixar-se inspirar pelo legado do Anjo Bom da Bahia e compreender que a fé autêntica não permanece apenas nas palavras ou nas intenções, mas se traduz em gestos concretos de amor, solidariedade e serviço ao próximo, exatamente como Santa Dulce viveu durante toda a sua vida.
Silvana Lima (Pascom) com a colaboração de Rosana Oliveira (CPP e Pascom)















Comentários