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Fé e ação para navegar em um mundo em constante mudança

21 de ago.
4 min de leitura

A Igreja Matriz da Paróquia da Ressurreição do Senhor recebeu, na última quarta-feira, dia 19, mais uma vivência promovida pelo Grupo de Formação da Paróquia. O encontro teve como convidado o padre Clóvis Cabral, jesuíta, que conduziu uma reflexão sobre a dimensão social da fé e do agir cristão no mundo, buscando aproximar a experiência de fé dos desafios da realidade contemporânea.



A atividade foi aberta com uma oração em intenção de Ana Tourinho, paroquiana muito querida, falecida naquele dia. Todos os presentes rezaram uma Ave-Maria, colocando diante de Deus sua vida e sua memória.



Em seguida, padre Clóvis iniciou a reflexão sobre princípios que também norteiam a missão do Centro de Estudos e Ação Social (CEAS), associação sem fins lucrativos fundada pela Companhia de Jesus, em 1967, e integrante da Rede Jesuíta de Justiça Socioambiental. Atua na Bahia junto a comunidades e movimentos sociais, fortalecendo sua autonomia e organização e contribuindo para a transformação da realidade e o enfrentamento das desigualdades sociais.



A atuação do CEAS tem como base o diálogo entre saberes, aproximando conhecimentos populares, científicos e políticos, além das experiências dos povos do campo e da cidade, para compreender e transformar a realidade.

A partir dessa proposta, a reflexão conduzida pelo sacerdote buscou responder a uma questão central: como navegar em um mundo tão volátil e dinâmico sem perder de vista aquilo que Jesus propôs desde os primórdios da Igreja: a construção do bem comum, baseada no respeito, no diálogo e na caminhada conjunta?



Para animar a compreensão desse cenário de constantes transformações, os participantes cantaram a música "Como uma Onda", de Lulu Santos, cuja conhecida frase “tudo muda o tempo todo no mundo” serviu como ponto de partida para pensar os desafios enfrentados pelos cristãos em uma sociedade que se transforma cada vez mais rapidamente.

Padre Clóvis destacou que a fé não pode ser vivida de maneira alheia à realidade. É preciso olhar para o que acontece no mundo, reconhecer a própria participação nele e, à luz do Evangelho, discernir caminhos capazes de contribuir para sua transformação, visando o bem comum. Nesse sentido, o Concílio Vaticano II foi apresentado como uma referência importante, especialmente por seu convite à Igreja para retornar às fontes primeiras da fé e, a partir delas, responder aos desafios de cada tempo.



A experiência dos discípulos de Emaús, também contemplada durante o encontro, ajudou a iluminar esse caminho. Ao reconhecerem Cristo no partir do pão, eles retornaram à comunidade renovados pela fé e pela coragem para anunciar a Ressurreição. A imagem reforça o convite para que os cristãos também retornem às fontes da fé para encontrar nelas os valores necessários à construção de um mundo mais solidário e humano.

Nesse percurso, três palavras ganharam destaque: conversar, escutar e interpretar.



Conversar, explicou o sacerdote, não significa apenas falar e ouvir sucessivamente. A verdadeira conversação pressupõe abertura para que diferentes vozes sejam acolhidas e somadas na busca de soluções que superem a polarização.

Já a escuta exige uma atitude de abertura e empatia. Padre Clóvis recordou o significado atribuído à palavra “escutar” em hebraico, relacionado à ideia de “deitar o ouvido no coração do outro”. A imagem de São João junto ao peito de Jesus ajuda a expressar essa atitude: escutar é aproximar-se do outro e reconhecê-lo como irmão, inclusive como alguém por meio de quem Deus também pode falar.



Diante da multiplicação das falas e da velocidade com que as informações circulam, surge a necessidade do discernimento. Por isso, a terceira palavra destacada foi interpretar: olhar para a realidade, compreender suas dinâmicas e, iluminados pela fé, discernir como agir em favor de todos.

A sinodalidade também esteve no centro da reflexão. Resgatada com força no vocabulário eclesial, especialmente durante o pontificado do Papa Francisco, a expressão recorda uma dimensão presente desde os primeiros tempos da Igreja: a necessidade de caminhar juntos e buscar, coletivamente, caminhos para o bem comum.



Em meio a um mundo que se desfaz rapidamente enquanto outro se constrói quase imediatamente, o desafio está em não perder os espaços de escuta genuína e diálogo. Nesse contexto, a Palavra de Deus e os documentos da Igreja foram apresentados como fontes capazes de reconectar os cristãos com a origem da fé e com valores que permanecem atuais, mesmo diante das mudanças observadas nesse novo tempo.

Padre Clóvis também ressaltou que o Evangelho atravessa culturas e épocas. A mensagem de Jesus não está limitada a um determinado período histórico, mas permanece capaz de iluminar diferentes realidades e orientar a vivência do amor, da fraternidade, da solidariedade e do compromisso com o próximo.



A reflexão contou ainda com referências a documentos da Igreja, apresentados como importantes subsídios para compreender a realidade social a partir dos princípios do Evangelho. Entre eles, foram mencionados Magnifica Humanitas e Dilexit Te, além das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032), reforçando o compromisso com a construção de um humanismo cristão em meio aos desafios da era presente.

Ao final, padre Clóvis compartilhou um texto de Frei Betto com orientações práticas sobre a vivência da religião, reforçando que a fé precisa ultrapassar o espaço da celebração e alcançar as escolhas e atitudes do cotidiano.



Entre oração, música, Bíblia, documentos da Igreja e partilhas, o encontro reforçou a importância de viver uma fé comprometida com a realidade, sem abrir mão dos valores transmitidos por Cristo. Afinal, somos uma comunidade de encontro feita para o encontro e, diante de um mundo em constante transformação, somos chamados a caminhar juntos, escutar com o coração e discernir caminhos para a construção de uma sociedade mais humana, solidária e acolhedora.


Silvana Lima (Pascom), com a colaboração de Ana Cecília Bastos (Grupo de Formação Paroquial) e Rosana Oliveira (CPP e Pascom)

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1 comentário


Jeremy Ow
17 de set.

Acontece que o jogo de sinuca do meu pai ainda se mantém. OsMesa de bilhar LEDÉ regras padrão com efeitos de iluminação no topo. Deu aos avós algo para fazer enquanto as crianças corriam por aí.

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