Novena do Jubileu: comunidade é chamada a fazer da gratidão um compromisso com a moradia digna
- 22 de jul.
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A comunidade paroquial se reuniu, mais uma vez, na Igreja Matriz da Paróquia de Ondina para agradecer pelos 60 anos de história. O quinto dia da Novena do Jubileu trouxe como tema "Celebramos com gratidão 60 anos e lutamos pela moradia digna para todos". O grave problema social, abordado pela Campanha da Fraternidade de 2026, foi refletido pelo presidente da celebração, padre Rutinaldo Gonzaga, pároco da Paróquia Santa Cruz, no bairro do Engenho Velho da Federação, e Vigário Forâneo da Forania 2B, da qual a Paróquia da Ressurreição do Senhor faz parte.
Os grupos de Liturgia, Comunicação (Pascom) e dos Missionários Leigos Redentoristas (MLR) formaram a equipe responsável pela noite.

Já na abertura da Santa Missa, a lembrança do compromisso da Paróquia com a dignidade da pessoa humana serviu de motivação para pedir ao Senhor que seja cada vez mais intensificada a missão de ajudar os mais necessitados, entre os quais aqueles que não residem em moradias dignas. Trata-se de um propósito contínuo, como ressaltou padre Rutinaldo, ao recordar as palavras de São João Paulo II: "a missão está apenas no começo". Ainda assim, o sacerdote destacou a importância da caminhada, iluminada pela luz do Cristo Ressuscitado.
"Nessa quinta noite, como família paroquial, queremos fazer memória da nossa história, da história gloriosa da nossa Paróquia da Ressurreição do Senhor. Queremos recordar a história da nossa Paróquia, não apenas com interesse de pesquisa e registros de acontecimentos, mas procurando contemplá-la, de um modo mais profundo, no significado de pertencermos a uma família paroquial."
Nesse sentido, essa família nos permite viver uma experiência de fé, nascida da vivência do amor de Deus, como ressaltou o convidado.
"Todos precisam fazer uma experiência de encontro com a pessoa de Cristo (...) Cada celebração, cada sacramento é uma oportunidade de renovar em nós esse encontro", afirmou.
Além de transformar a nossa vida, esta experiência nos tira do vazio existencial e nos faz experimentar uma alegria imensurável, permitindo que sigamos, com renovado entusiasmo, como discípulos e discípulas de Jesus, como refletiu o padre.
Motivado também pelo tema da noite, o vigário forâneo tomou o lema da CF 2026, "Ele veio morar no meio de nós (Jo 1,14)", para falar da necessidade de sermos sensibilizados para a falta de moradia digna para todos, realidade presente em nossa cidade. Trata-se de uma situação que fere a dignidade da pessoa humana, enquanto filho e filha de Deus. Por isso, mesmo quando desfrutamos de melhores condições de vida, muito mais pela graça de Deus do que por nossas próprias capacidades, não podemos permanecer indiferentes ao sofrimento do outro.

Os números revelados pelo padre Jean Poul, na Formação Regional da Campanha da Fraternidade, realizada em março último, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Nordeste 3 (NE3), ajudam a dimensionar a gravidade desse cenário. Atualmente, cerca de 327.925 pessoas vivem em situação de rua no Brasil. Ao mesmo tempo, existem aproximadamente 11,4 milhões de domicílios vazios no país. Somam-se a isso as 12.348 favelas existentes em território nacional, cerca de 8,9 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco e 26 milhões de famílias habitando moradias inadequadas.

Esses dados foram apresentados sob a forma de cartazes para a assembleia e revelam uma profunda contradição social e reforçam a urgência do compromisso cristão em favor daqueles que ainda não têm assegurado o direito fundamental à moradia digna.
Mesmo diante dessas e de tantas outras dificuldades, porém, padre Rutinaldo lembrou que devemos agradecer por tudo aquilo que nos é concedido pelo amor de Deus:
"Como dizia o Papa Francisco: devemos olhar o passado com gratidão, o presente com temor e o futuro com esperança. Porque, se hoje celebramos 60 anos de Paróquia, é porque alguém, antes de nós, trabalhou para que hoje experimentemos a bênção de Deus em nossa vida e na vida da nossa Paróquia", lembrou ele.
Além da gratidão, ele frisou que este momento especial deve ser vivido com amor, paixão, responsabilidade, valorização e empenho, mas também com esperança, que não deve ser roubada pelas desordens observadas na sociedade, como é o caso das moradias insalubres e desumanas, que já provocaram profundos questionamentos no sacerdote.
"Tem vezes que passo em algumas realidades e me pergunto: meu Deus! Como é que uma família consegue habitar nesse lugar? Meu Deus, como é que alguém consegue viver nesta situação? E é uma realidade muito comum, sobretudo em nossos bairros periféricos", recordou.
Portanto, meditar sobre isso não pode nos limitar a rezar, agradecer e valorizar o que temos, tornando-nos indiferentes a essa realidade social.
"Na verdade, é fácil trazer o crucifixo no peito ou pendurado como ornamento nas paredes das nossas casas belas e seguras. Mas não é tão fácil reconhecer as cruzes que muitos irmãos carregam, especialmente os que vivem sem teto, os que têm moradia indigna às beiras das estradas ou em barracos, os que vivem em áreas de risco de alagamentos e deslizamentos ou que estão em situação de rua, abandonados pela sociedade. Em oração, precisamos pedir: Senhor, ajudai-nos a saber como colaborar, como colocar sempre a nossa vida em defesa dos outros", pediu.
O momento de gratidão foi direcionado aos padres diocesanos e à Arquidiocese de Salvador, por meio de uma mensagem que destacou a união e a continuidade da missão evangelizadora.

Em nome de toda a comunidade, o texto lembrou da importância de todos, destacando que a história da Paróquia da Ressurreição do Senhor foi construída pelo esforço e pela dedicação de muitos sacerdotes, com o apoio da Arquidiocese. Nesse caminho, merece destaque a valiosa contribuição dos padres jesuítas e dos sacerdotes diocesanos, que ajudaram a consolidar a identidade e a missão da comunidade paroquial de Ondina.
Na pessoa do padre Rutinaldo Gonzaga, a Paróquia expressou o reconhecimento a cada sacerdote que fez e continua fazendo parte dessa trajetória missionária.

Como gesto concreto, os fiéis levaram café, apresentado simbolicamente ao Senhor, juntamente com os demais itens arrecadados ao longo do novenário, em uma bonita cesta conduzida na Procissão das Ofertas.
Assim, a celebração reafirmou que a gratidão pelos 60 anos da Paróquia da Ressurreição do Senhor encontra sua expressão mais autêntica quando se transforma em compromisso com a dignidade humana, tornando presente, no hoje da história, o amor daquele que "veio morar no meio de nós".
Silvana Lima (Pascom), com a colaboração de Rosana Oliveira (CPP)



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