O que a Cruz de Cristo nos ensina sobre o amor?
A Igreja celebra, em 14 de setembro, a Exaltação da Santa Cruz. Uma festa que nasceu em Jerusalém, ligada à dedicação das basílicas construídas sobre os lugares associados à Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, cujos locais guardavam e expunham o lenho da cruz aos fiéis.
Nessa data litúrgica, é importante compreender que a Igreja não exalta o sofrimento pelo sofrimento e, sim, o amor que se entrega até as últimas consequências.

Apesar da Cruz ter sido instrumento de humilhação e morte, em Cristo, ela se transformou em sinal de salvação, porque aquele que nela foi elevado entregou livremente a própria vida. A radicalidade dessa entrega encontra sua motivação no amor do Pai pela humanidade:
“Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16)
É esse amor que explica a Cruz. Jesus não foi simplesmente vítima de acontecimentos que fugiram ao seu controle. Sua entrega faz parte de sua missão e de sua obediência amorosa ao Pai. Como afirma São Paulo:
“Humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz.” (Fl 2,8)
E justamente por essa entrega, a Cruz deixa de ser símbolo de derrota. O mesmo Cristo que se humilha é aquele que Deus exalta.
E liturgia coloca diante de nós também a imagem da serpente levantada por Moisés no deserto, episódio retomado por Jesus para anunciar sua própria entrega:
“Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado.” (Jo 3,14)
Ser levantado na Cruz é, para Jesus, ser elevado no amor. A Cruz nos mostra, portanto, que o amor cristão não é apenas sentimento. É decisão, entrega, fidelidade e doação. É capaz de permanecer quando amar se torna difícil. É capaz de perdoar sem negar a verdade. É capaz de servir sem esperar reconhecimento.
E aqui está o grande ensinamento da Cruz: o amor verdadeiro não calcula até onde pode ir; ele se entrega.
Jesus poderia ter escolhido outro caminho, mas escolheu permanecer fiel ao Pai e à missão recebida. Sua entrega foi radical porque radical é o amor de Deus por nós.
Por isso, contemplar a Cruz também nos coloca diante de uma pergunta pessoal: até onde estamos dispostos a amar?
Não se trata de procurar o sofrimento ou aceitar passivamente a injustiça. Trata-se de compreender que seguir Cristo exige sair de nós mesmos, vencer o egoísmo e transformar a própria vida em dom.
A Cruz, porém, nunca pode ser separada da Ressurreição.
Aquele que foi crucificado ressuscitou. A morte não teve a última palavra. É por isso que a Cruz cristã não anuncia desesperança, mas esperança. Ela nos lembra que Deus pode transformar aquilo que parece derrota em caminho de vida, nos ensinando que Deus é maior do que o nosso pecado e que o amor pode se doar sem reservas.
Ensina, ainda, que a fidelidade tem um preço, mas também produz frutos e que o sofrimento não tem a palavra final. E, sobretudo, ensina que fomos amados primeiro.
Ao contemplarmos a Santa Cruz, não olhamos apenas para aquilo que Cristo sofreu. Olhamos para quanto Deus nos ama. A Cruz é a medida desse amor.
E, iluminados pela Ressurreição, somos convidados a fazer da nossa própria vida uma resposta a esse amor.
Silvana Lima (Pascom)



Comentários