Maria nos ensina a permanecer de pé quando a vida nos coloca diante da cruz
Nossa Senhora das Dores é um dos títulos pelos quais a Igreja contempla Maria, a Mãe de Jesus, a partir de uma experiência particularmente profunda: sua presença junto ao Filho no caminho da Paixão e aos pés da Cruz.
Os diferentes títulos marianos não se referem a diferentes Marias. Eles expressam experiências históricas e teológicas da Igreja com a única Mãe de Jesus, contemplada sob diferentes aspectos de sua vida, de sua missão e de sua relação com Cristo e com o povo de Deus.

Ao contemplarmos Nossa Senhora das Dores, somos convidados a estar ao lado de quem amamos sem interferir em sua missão, sem poder retirar a dor, mas permanecendo fiel junto dessa pessoa, principalmente quando o sofrimento chega.
Maria não podia tomar o lugar de Jesus. Não podia cumprir a missão que era dele. Não podia impedir a Cruz. Mas podia permanecer. E permaneceu.
Nossa Senhora das Dores, portanto, não representa simplesmente uma mãe chorando diante de uma tragédia. Sua fidelidade e presença silenciosa são também expressões de amor e confiança.
Ela não se desespera. Continua confiando em Deus e guardando no coração aquilo que está vivendo. Sua fé não elimina a dor, mas impede que esta tenha a última palavra.
Por isso, a imagem de Nossa Senhora das Dores pode ser compreendida não apenas como símbolo do sofrimento, mas como imagem de uma fé que permanece mesmo quando não consegue compreender tudo.
Desse modo, então, Maria nos ensina a permanecer quando seria mais fácil fugir; a amar mesmo quando o amor dói; a confiar quando não se enxerga a solução; a acompanhar quem sofre; a não confundir sofrimento com abandono de Deus; a esperar mesmo diante do silêncio.
Ontem, contemplamos a Cruz de Cristo e o amor que se entrega. Hoje, contemplamos a Mãe que permaneceu junto à Cruz, respeitando esse amor. Essa sequência é muito significativa: primeiro, a Igreja contempla a Cruz de Cristo; depois, contempla a Mãe que permaneceu junto à Cruz.
E isso nos ajuda a compreender que Nossa Senhora das Dores não é uma exaltação do sofrimento. O centro continua sendo Cristo e sua entrega amorosa. A dor de Maria só pode ser compreendida à luz da missão de Jesus e da esperança da Ressurreição.
Também aos pés da Cruz Jesus entrega Maria ao discípulo amado e o discípulo à sua Mãe: “Eis aí teu filho” e “Eis aí tua mãe” (Jo 19,26-27).
E se o discípulo amado representa aqueles que acolhem Jesus, Maria passa a ser contemplada também como Mãe dos discípulos, Mãe da Igreja.
É justamente aos pés da Cruz que Maria perde o Filho e recebe filhos. Sua dor não a fecha em si mesma. Pelo contrário, seu coração se abre para uma maternidade ainda maior.
Talvez essa seja uma das mensagens mais fortes de Nossa Senhora das Dores para nós hoje.
Maria conhece a dor de uma mãe. Conhece a perda, a angústia, a incompreensão, o silêncio e a espera. Mas, sobretudo, conhece a fidelidade.
Ela nos mostra que sofrer não significa estar abandonado por Deus.
Quantas vezes também somos colocados diante da cruz de alguém que amamos? Uma doença, uma perda, uma decisão difícil, uma crise, um sofrimento que não conseguimos resolver. E talvez uma das formas mais difíceis de amar seja justamente compreender que nem sempre poderemos interferir, solucionar ou retirar a dor.
Às vezes, amar será permanecer.
Permanecer sem respostas. Permanecer sem poder mudar a situação. Permanecer sem abandonar aquele que sofre.
Como Maria permaneceu junto de Jesus.
Por isso, diante de Nossa Senhora das Dores, podemos nos perguntar:
Quando a vida dói, eu fujo ou permaneço? Quando não compreendo o que Deus está fazendo, continuo confiando? Consigo permanecer junto de quem sofre, mesmo quando não posso resolver o seu problema? Minha fé depende de tudo dar certo? Sou capaz de esperar quando ainda não chegou a manhã da Ressurreição?
Amparados pelo amor de Deus, o mesmo que cuidou de Nossa Senhora aos pés da cruz, aprendemos espiritualidade a não procurar o sofrimento, nem a considerá-lo um bem em si mesmo, e sim atravessá-lo sem perder a fé, o amor e a esperança.
Afinal de contas, a dor não é o destino final daqueles que confiam em Deus.
Depois da Cruz vem a Ressurreição.
Depois do silêncio, a vida.
Depois da noite, a manhã.
Por isso, Maria permanece de pé. Não porque não sofra, mas porque sua fé é maior que aquilo que seus olhos conseguem compreender.
Silvana Lima (Pascom)



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