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Padre Cristóvão emociona fiéis e reforça: "A gente não pode parar"

  • 22 de jul.
  • 4 min de leitura

A Igreja Matriz ficou completamente tomada pelos fiéis na noite da última terça-feira (21), durante o sexto dia da Novena do Jubileu dos 60 anos da Paróquia da Ressurreição do Senhor.



Com o tema "Celebramos com gratidão 60 anos e lutamos pela fraternidade e união", a celebração foi marcada pela emoção do reencontro com o padre Cristóvão Przychocki (CSsR), que retornou à comunidade onde viveu uma parte importante da sua caminhada sacerdotal.



A celebração ficou sobre a responsabilidade da Equipe de Santo Antônio, da Pastoral Social e da Obra Lúmen, que acolhe pessoas em situação de rua.



Como gesto concreto da noite, foi realizada a doação de feijão, levado até o altar por alguns dos assistidos da Lúmen, em um sinal de compromisso com os irmãos mais necessitados.



O padre, que atualmente a tua como administrador do Santuário do Senhor Bom Jesus da Lapa, recordou com muita gratidão, na homilia, tudo o que viveu na Paróquia da Ressurreição do Senhor, onde iniciou como seminarista. Na sequência, serviu também como diácono, vigário paroquial e, posteriormente, como pároco, acompanhando de perto a vida dos fiéis em seus momentos de desafios e conquistas.

"É interessante que quando a gente olha rosto por rosto, a gente lembra de tudo aquilo que a gente viveu durante tantos anos aqui na Paróquia, participando da vida de vocês, das alegrias, das tristezas, dos sofrimentos, das vitórias. Impressionante como isso toca o coração", afirmou.

Ao recordar cada uma das sete comunidades que compõem a paróquia, padre Cristóvão reforçou os motivos pelos quais seu coração permanece cheio de gratidão. Fez questão de mencionar as Filhas do Coração de Maria, recordando especialmente a irmã Maria Alice; destacou a presença constante da juventude, assim como dos diversos grupos e movimentos, e também o legado deixado pelos sacerdotes que já fizeram a sua Páscoa definitiva, sobretudo o padre Carlos Kaminski, uma grande referência em seu ministério.



Segundo ele, foi justamente o tempo vivido na Paróquia da Ressurreição do Senhor que contribuiu decisivamente para o seu amadurecimento humano e sacerdotal.

"Aqui eu aprendi a servir a vocês e ao Cristo Ressuscitado. Por isso meu coração se enche de alegria. Não tem como esquecer dessa história...", revelou.

Inspirando-se na liturgia do dia, ele tomou o Evangelho de Mateus (Mt 12,46-50), em que Jesus revela quem são a Sua verdadeira mãe e os Seus verdadeiros irmãos, para ressaltar a permanente atualidade da Palavra de Deus.

Nesse sentido, mesmo diante das incertezas do mundo, ele afirmou que sempre vale a pena confiar e investir na Palavra, porque ela oferece um fundamento sólido para a vida. Em contraste, observou que a sociedade apresenta, cada vez mais, valores passageiros e descartáveis, chegando a tratar até mesmo a fé dessa maneira. No entanto, a Palavra de Deus permanece viva e continua falando ao coração de cada pessoa, como fez questão de frisar.



Aprofundando um pouco mais, explicou que a resposta aparentemente dura de Jesus, ao dizer que Sua mãe e Seus irmãos são aqueles que fazem a vontade do Seu Pai (Mt 12,46-50), não representa uma rejeição a Maria. Pelo contrário: Jesus abre a possibilidade de fazer parte da Sua família divina todos aqueles que vivem a vontade de Deus.

"Por isso, meu irmão e minha irmã, nós queremos fazer parte da família de Jesus. Então vamos fazer a vontade do nosso Deus. E qual é a vontade do nosso Deus? Viver bem, praticar a nossa fé, ser uma pessoa honesta, ser uma pessoa transparente, ser uma pessoa caridosa. Fazer parte da família de Jesus não é andar sobre as águas, ressuscitar os mortos... Isso nós deixamos para Jesus. Ele faz isso de forma perfeita. Vamos fazer aquilo que nós podemos fazer: viver bem", salientou.

Como exemplo concreto dessa vivência, padre Cristóvão lembrou das muitas pessoas que responderam ao chamado de Deus com generosidade e que, graças ao testemunho delas, a comunidade colhe hoje seus frutos.

Mencionando mais uma vez o padre Carlos, para homenagear todos os sacerdotes que passaram pela Paróquia, ele fez ainda uma menção especial à leiga Angélica, já falecida, que durante muitos anos serviu com dedicação na sacristia.



Em seguida, ampliou esse reconhecimento para todos aqueles que, desde o início da caminhada da comunidade, disseram "sim" ao chamado de Deus.

"Graças ao sim de todas as pessoas lá no começo (...) nós podemos dizer: Obrigado, Cristo Ressuscitado, por nos acolher! Obrigado, Cristo Ressuscitado, por ter paciência com cada um de nós (...) Nós queremos agradecer ao Cristo Ressuscitado por Ele não desistir de nós (...) Mas justamente estender as mãos na nossa direção e dizer: 'Venha, Eu preciso de você!'"

Ao dirigir-se diretamente aos paroquianos, o sacerdote lembrou que o Jubileu pertence a toda a comunidade e representa um convite para continuar construindo essa história.

"A celebração é dos 60 anos da tua paróquia, da tua casa, da tua comunidade... Que seja motivo de acender esse fogo do amor, de continuar escrevendo essa história... A gente não pode parar."

Reconhecendo que o cansaço e as dificuldades fazem parte da caminhada cristã, padre Cristóvão recordou que as obras de Deus frequentemente nascem nos momentos mais desafiadores. Por isso, convidou todos a permanecerem firmes, confiando sempre em Cristo Ressuscitado.

"A gente sempre vai ter dificuldade, mas nós temos um Cristo Ressuscitado. Nós temos Aquele que venceu a morte. Nós temos Aquele que pode dar jeito nas coisas. Basta crer, basta confiar, basta segurar na mão Dele e caminhar com Ele. Não vá na frente do Cristo, deixa Jesus ir na frente, porque às vezes a gente é tão zeloso, mas tão zeloso, que a gente passa na frente do Cristo, e quando a gente passa na frente do Cristo, a coisa começa a pegar... Então, não vamos passar na frente, deixa Cristo caminhar e a gente vai atrás", concluiu.

Após as homenagens recebidas, o padre escolheu o número que contemplou uma paroquiana no sorteio da imagem de Santo Antônio e, no dia dedicado ao santo querido, a novena também abriu espaço para a ladainha e para a bênção dos pães, que foram distribuídos para a obra Lúmen, como acontece após cada celebração realizada às terças-feiras.



Antes do sacerdote deixar a igreja, muitos paroquianos aproveitaram o momento para abraçá-lo, pedir bênçãos e tirar fotos, numa singela demonstração de carinho.



Silvana Lima (Pascom), com a colaboração de Rosana Oliveira (Pascom e CPP)

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